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22/07/2010 - 22:50h
Artigo: EXPERIÊNCIAS DE UM EXPOSITOR DE CURIÓ DE CANTO - Sr Pereira - Botucatu-SP

EXPERIÊNCIAS DE UM EXPOSITOR DE CURIÓ DE CANTO

Antonio Pereira da Silva -pereirabotucatu@uol.com.br - Botucatu-SP

1.FILHOTES

2.O MELHOR MESTRE

3.APERFEIÇOAMENTO/MANUTENÇÃO DO CANTO

4.PREPARAÇÃO PARA TORNEIO

5.VIAGENS

6.HOTEL

7.DIA DO TORNEIO

8.ESTACA

9.EMOÇÕES NA ESTACA

1.FILHOTES

Quem se dedica a criação de curió de canto praia, na expectativa de conseguir um curió clássico e competitivo, um curió que se aproxime o máximo da perfeição, sabe o quanto é difícil. Quando um filhote começa a se destacar dos demais, com chances de conseguir um lugar entre os notáveis, o seu proprietário deve se preocupar com que ele não ouça outros, evitando assim que o filhote promissor desvie sua atenção do “CD” ou da “Fita” e passe a emitir notas indesejáveis.

2.O MELHOR MESTRE

A nosso ver, o melhor mestre é o CD (ou Fita), pois as notas são sempre perfeitas e repetitivas, de maneira impecável, o que só é possível mesmo em uma gravação com os recursos eletrônicos atuais. Um curió mestre ao vivo, nunca é tão perfeito como o CD, ficando o filhote sujeito as variações ou deficiências no canto do mestre, uma vez que ao vivo a influência do mestre sobre o aluno é muito eficiente e marcante, contudo, raramente o mestre reúne atributos suficientes para ensiná-lo como nós desejamos, tendo-se em vista a considerável e rigorosa exigência do canto clássico atualmente. Caso o mestre apresente algum defeito, o filhote certamente assimilará esse defeito. Excepcionalmente, em se tratando de um mestre cujo canto seja reconhecidamente de alta qualidade, o filhote poderá ouvi-lo durante algum tempo, porém, assim que demonstrar sua aptidão e talento na aprendizagem e já ser perceptível a emissão de algumas notas, deverá ser isolado e submetido ao aprimoramento do canto exclusivamente através do CD. Quando um filhote é talentoso e está prometendo ser um futuro campeão, expô-lo como mestre, deixando outros filhotes ouvi-lo, na esperança que aprendam com ele, também não é prudente. Seria um risco muito grande; o aluno poderá estragar o suposto mestre.

 3.APERFEIÇOAMENTO/MANUTENÇÃO DO CANTO

O proprietário mantenedor (ou criador) que conseguir um filhote prodigioso e competitivo, deverá se dedicar para o aperfeiçoamento e manutenção do canto do mesmo, uma vez que, embora com grandes qualidades, poderá a qualquer momento desviar o seu canto. A preocupação e cuidado para a preservação do canto do curió é um desafio para seu proprietário e tal dedicação deverá ser por tempo indeterminado. Quem tem experiência nesta área sabe que, num único torneio que o proprietário se descuidar, poderá prejudicar o canto do filhote ou mesmo de um adulto, sendo que quando adulto, é lógico, o pássaro resistirá mais as influências externas.

4.PREPARAÇÃO PARA TORNEIO

A preparação de um curió de canto (filhote ou preto) para um torneio não é tão complicada como alguns podem imaginar, basta ter tempo e dedicação. Nem todos os curiós têm o mesmo temperamento, a exemplo de nós humanos. Há aqueles que são mais extrovertidos e de caráter valente, que cantam em qualquer lugar e com certa facilidade. Há também, aqueles que sentem a presença de outros e ficam “mudos”. Parece-nos que mesmo os mais valentes, quando expostos a uma pressão muito grande de outros, ficam tão agressivos que não cantam, ficam irritados dentro da gaiola e não se conccantam, ficam irritados dentro da gaiola e não se concentram em cantar ou cantam com defeitos.

Baseado nisso, é interessante que ao prepararmos um curió para um torneio, tenhamos a preocupação e prever algumas situações que poderão surgir.

Existem curiós que não cantam ao ver gaiola, mesmo que ela esteja vazia. Neste caso poderemos treiná-los colocando uma gaiola vazia a uma distância de uns 5 metros longe dele, até que se acostume e cante.

Outros, só cantam se mostrar uma fêmea ou “chia”. Cada passarinheiro deve tomar as iniciativas que melhor se adapte ao seu pássaro com estas características.

Eu, particularmente, acho que o curió de canto não deve ser condicionado com fêmea ou com “chia”, pois poderá alterar seu desempenho natural.

Outra situação que tem interferido na apresentação de alguns curiós são os galhos das árvores que geralmente ficam sobre as estacas. Antes de levar um pássaro para um torneio devemos treiná-lo adequadamente, levando em praças, jardins, bosques e deixá-lo dependurado sob uma árvore por alguns minutos, até que se acostume e cante. Deve-se mudar de lugar a cada 10 ou 15 minutos, sempre o sujeitando a ficar sob os galhos de árvores, até que ele se sinta bem.

O curió é um pássaro de território e como tal, para cantar em qualquer lugar, é preciso impor condições para que ele perca a noção de espaço exclusivo.

Como nos torneios, nem sempre tem lugar para colocar a gaiola para que o curió solte o canto, devemos treiná-lo, sempre que possível, colocando-o sobre o carro, visto que esta poderá ser uma boa opção no dia do torneio.

Nunca, porém, fazer esses treinos descuidando da parte auditiva do pássaro. Não deixá-lo ouvir por muito tempo outros pássaros, mesmo que de outras espécies.

É muito importante nestes passeios levar um toca CD/fita com a Cd/fita que ele está acostumado, assim ele não ficará sentindo a ausência de seu mestre (que é o CD).

O uso de capa na gaiola é imprescindível. O condicionamento do pássaro na gaiola encapada facilitará o seu manuseio nos torneios. Sempre que sair com seu curió para treiná-lo não esquecer de encapar a gaiola e só desencapá-la no momento em que será dependurada. Ao retirar de um lugar e ir para outro, encapá-la novamente e assim sucessivamente.

A gaiola encapada será assimilada pelo curió como seu território. É por isso que muitos curiozeiros falam em torneios: “Ele estava cantando na capa dentro do carro até agora, e, na estaca, não abriu o bico”. Isto ocorre certamente porque está condicionado na capa por muito tempo e quando de seu treinamento não teve aquela alternância de tira e põe a capa.

Um dia antes do torneio o curió não precisará ser manipulado, isto é, ser submetido a treinos.

  1. VIAGENS

Na viagem, quando o torneio for em outra cidade, nunca levar outro curió no mesmo carro. Esta atitude prejudica muitas vezes o desempenho na apresentação daquele que você mais confia.

Se a viagem for longa demais, a cada duas horas ou menos, dar uma paradinha, trocar a água, tirar a capa da gaiola e colocá-la sobre o carro por uns 10 minutos, mais ou menos, podendo depois seguir viagem.

6. HOTEL

No hotel todo cuidado é pouco. Geralmente em hotéis indicados pelos Clubes sempre há mais passarinheiros; alguns têm o costume de tirar os seus pássaros nos arredores do hotel para dar uma treinadinha. No caso de curió de canto, entretanto, não convém tirá-lo do apartamento e um toca CD deverá ficar ligado o tempo todo e se possível também a TV, para fazer algum ruído que dificulte o seu curió ouvir outros pássaros, que estão em apartamentos vizinhos.

7. DIA DO TORNEIO

No dia do torneio, tratar o curió normalmente, como se em casa estivesse. Não servir milho verde nem água para banho para não distraí-lo na hora da sua apresentação.

No recinto do torneio tomar um cuidado muito especial em estacionar seu veículo. Sempre deixar o rádio ligado e também o CD que ele está acostumado. Estacionar o carro à sombra de uma árvore e manter, se possível, certa distância de outros carros que tenham pássaros; com isso você não vai incomodar ninguém, nem será incomodado.

Em hipótese alguma tirar seu curió do carro e dependurar em baixo de uma árvore, alambrados, muros, postes, arbustos ou galpões, mesmo que encapado, pois esta atitude certamente vai prejudicar os outros. Lembre-se que este procedimento você já o fez várias vezes nos treinamentos, lá na sua cidade, não havendo necessidade, agora, de fazê-lo novamente.

Faltando uns 30 minutos (Quatro ou Cinco números antes do seu curió ser chamado), você poderá tirar o seu curió do carro, e sempre atento e com o ouvido ligado no canto dos outros, colocá-lo sobre o carro com parte da capa aberta. Certamente seu curió irá cantar, pois ele está condicionado a isso, a exemplo do que você tem feito nos treinos. Se preferir, poderá andar um pouco com ele nas imediações, tomando sempre o cuidado dele não ouvir, de muito perto, outros pássaros.

Após alguns minutos, de acordo com sua própria experiência nos treinos e a reação apresentada pelo curió, você irá perceber se ele está bem ou não, podendo voltá-lo para dentro do carro, fechando totalmente a capa.

Quando o número de inscrição do seu pássaro for o próximo a ser chamado e já foi anunciado pelo juiz o tradicional “Preparar o número...”, você deverá levar o seu curió (sempre encapado) a uma distância de mais ou menos uns 20 metros da estaca, entretanto, se preocupando, é claro, que o seu curió não cante e que a gaiola não fique exposta de maneira que o curió da estaca a veja, evitando-se assim prejudicar aquele que está se apresentando.

8. ESTACA

Quando o número de inscrição do seu curió for chamado pela mesa julgadora, dirija-se ao local da estaca com o máximo cuidado e atenção, evitando tropeços e batidas bruscas na gaiola, pois normalmente existem muitas pessoas ao redor da estaca o que dificulta um pouco sua caminhada com a gaiola.

Chegando à frente da mesa julgadora, primeiramente entregue sua ficha de inscrição ao mesário. Nunca retire a capa da gaiola e dependure o curió na estaca, para só depois tomar esta providência.

Esta precaução evita que o curió, por estar muito condicionado e valente, cante antes do juiz anunciar o “tempo”. Esta cantada, nesta hipótese, não seria julgada pela mesa, embora, a primeira cantada seja, normalmente, a que mais impressiona e que é aguardada pelos críticos. (Seria como um jogador de futebol chutar um pênalti antes do apito do juiz, marcando gol, contudo sem validade).

Ainda, antes de tirar a capa da gaiola, dar uma olhadela rapidamente ao redor para ver se não há alguma gaiola que possa ser vista pelo seu curió, o que certamente atrapalharia a sua apresentação. Caso haja, reclame ao senhor juiz, que tomará as providências cabíveis, assim, só dependure a gaiola quando esta irregularidade estiver sanada.

Aliás, esta falta de cautela por parte dos passarinheiros, em transitar com gaiolas ou dependurá-las nas cercas ou arbustos perto das estacas, é uma lamentável falta de instrução específica aos participantes. Evidentemente, que nenhum expositor tem a intenção em prejudicar alguém e se o fazem é por pura falta de informação.

Agora chegou à hora de dependurar a gaiola na estaca.

Em baixo da estaca, com uma das mãos retira-se a capa e dependura a gaiola. Não é aconselhado colocar a gaiola na mesa para retirar a capa, sendo que a mesa só deverá ser usada após a apresentação do pássaro.

Entretanto, não perca muito tempo para dependurar a gaiola, pois no atual Regulamento, após 20(vinte) segundos que o expositor adentrar no recinto delimitado para a estaca, o tempo já estará sendo cronometrado.

Neste momento, muito atento, soltar a gaiola muito lentamente a fim de evitar que ela fique balançando.

Nunca, para ativar seu curió, estale os dedos ou passe-os nos arames da gaiola; esta é uma prática que o curió fatalmente entenderá como uma agressão e desafio e não como um ato de carinho.

Quem é acostumado fazer este tipo de incentivo, corre o risco de seu pássaro não cantar em sua frente. Há casos, inclusive, em que o passarinheiro é obrigado a se esconder para que seu pássaro cante; postura esta conseqüente a este tipo de atitude.

O curió é um pássaro muito sensível. Por isso é que sempre que estivermos lidando com ele, mesmo na hora de tratá-lo no cotidiano, devemos fazê-lo com delicadeza e lentidão para que ele se sinta seguro e que lhe encare como um amigo (já que nós achamos que ele é o nosso melhor amigo); principalmente quando há necessidade de por a mão dentro da gaiola, quando vai servir água para banho ou milho verde, por exemplo, fazê-lo de maneira bem sutil, calma, delicada e lentamente, sem movimentos bruscos. Não se esqueça que a apresentação de seu pássaro em um torneio depende muito de você.

Após a sua apresentação, retire-o da estaca com cuidado para não assustá-lo e dirija-se a mesa para encapar a gaiola, leve-o de volta para o carro e continue com a mesma cautela.

A água para banho neste momento é bastante saudável. (porém, a critério de cada um, respeitando as condições atmosféricas, é claro).

9. EMOÇÕES NA ESTACA

Quando seu pássaro estiver cantando na estaca é a hora do seu contentamento ou frustração. A sua tensão neste momento é indescritível, parece até que muda a personalidade do passarinheiro e ela é confundida com a do seu pássaro. Se o seu pássaro está se apresentando bem o passarinheiro vibra de alegria, como se ele é que estivesse sendo avaliado, contudo, se o pássaro não estiver atingindo o resultado esperado, fica tão desapontado como se fosse falha pessoal. Se for aplaudido então, nem se fala. Sente-se como se os aplausos fossem a ele dirigidos; é realmente uma sensação maravilhosa e indescritível que gratifica e justifica plenamente toda a sua dedicação e empenho. Não há dinheiro que pague por esta emoção.

É necessário frisar que o proprietário consciente do potencial e limitações do seu pássaro, não deve se preocupar com a apresentação dos demais, nem tão pouco com a classificação final, visto que o mais importante é que o seu pássaro tenha dado o melhor de si e respeitando que não é todo dia que ele está tão disposto e feliz, como nós seres humanos.

Agora é só aguardar o resultado e respeitar a decisão do Juiz.

Caso tenha alguma dúvida sobre o julgamento, após o final do torneio o Senhor Juiz ficará a sua disposição, por quinze minutos, para lhe dar as explicações que você achar necessárias ou até mesmo algumas orientações.

Se persistir sua dúvida, poderá faze sua reclamação fundamentada por escrito diretamente à Federação.

Esta é a minha modesta colaboração, está baseada em experiências próprias vividas nestes mais de 30 anos de torneios, e, evidentemente, é direcionada àqueles que estão iniciando, pois a maioria dos expositores conhece profundamente estes e outros procedimentos.

Antonio Pereira da Silva

Botucatu - SP

E-mail: pereirabotucatu@uol.com.br


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